Ronei Ferrigolo já não é mais presidente da Procergs, e sua saída ocorre no momento em que uma licitação da Companhia está sendo investigada pelo TCE por suposta irregularidade envolvendo a empresa Processor, da qual Ferrigolo era sócio, e algumas semanas depois da revista Veja veicular denúncia de pagamento de complementação salarial realizado pela Federasul em nome de Ferrigolo. São duas graves denúncias que se somam a outras surgidas no decorrer de pouco mais de um ano em que ocupou o cargo máximo na Procergs. Como representação dos trabalhadores, havíamos exigido a saída de Ferrigolo para que as apurações fossem feitas de forma transparente, o que não ocorreu com as denúncias anteriores, cujos resultados da investigação nunca foram a público.
Contudo, para além da conduta de Ferrigolo, temos feito outra importante denúncia: a política do governo estadual está levando à desvalorização dos trabalhadores e dos serviços públicos, especialmente no que toca à Procergs. Independentemente da próxima indicação para a presidência da companhia, continuaremos cobrando o fortalecimento da Procergs, o que não parece ser o compromisso do atual governo do estado que, sistematicamente, tem representado os interesses privados nos serviços prestados pela Procergs, o estratégico setor de Tecnologia da Informação.
Exemplo desta política foi a postura da direção da estatal perante as duas últimas campanhas salariais dos funcionários: somente na última semana foi fechado o acordo referente a 2007 e a julho de 2008, não sem antes os trabalhadores precisarem realizar paralisações e entrar na Justiça para garantir o mínimo, a reposição das perdas da inflação – e, para isso, ainda tiveram que abrir mão de alguns direitos conquistados ao longo de mais de 20 anos. Nesse contexto, não podemos deixar passar a intenção de Ferrigolo de pintar um clima bem mais favorável do que o real em sua nota de saída da empresa. Quando diz que “A implantação do programa de remuneração variável, efetivada na data de hoje,(…) me permitem concluir uma etapa e deixar a empresa no início de um novo círculo virtuoso”, é importante ter claro que a tal remuneração variável, a PPR entregue na tarde desta terça-feira, nada mais é do que o valor correspondente aos retroativos do índice do INPC de julho de 2007, 3,27%, valor que a empresa não queria pagar no princípio, já que sua proposta era zero de reposição. Foi a pressão da mobilização dos trabalhadores que garantiu o pagamento dos retroativos e não algum programa bem intencionado da gestão de Ferrigolo. Que “novo círculo virtuoso” seria este? Se há alguma virtuosidade em um processo em que os trabalhadores precisam pressionar a empresa por mais de ano para garantir o mínimo que lhes é de direito, está na paciência destes trabalhadores.
Continuaremos fazendo a nossa parte na defesa da Procergs, seus serviços e funcionários.
E cobraremos sem cansar que o governo do estado também o faça.