Governo se omite em mais uma denúncia de irregularidade envolvendo os gestores da Procergs

By CT-Procergs/Sindppd-RS

Basta de descaso e corrupção!
O descaso do governo do Estado com a Procergs continua, mesmo com todo o empenho do Sindppd/RS e do seu corpo funcional em denunciar esta situação, via audiência pública na Assembléia Legislativa, via carta aberta à governadora solicitando um mínimo de atenção para com a companhia. Sem meias palavras: a Procergs está na mão dos seus próprios algozes, representantes da iniciativa privada, desarticuladores da empresa para avanço dos empresários de TI.

Tamanha é a força do empresariado frente ao governo de Estado, que Ronei Ferrigolo consegue se manter no cargo de diretor presidente da Procergs mesmo tendo sido alvo de reportagens na mídia local e nacional, por ser beneficiado através de complementação salarial paga pela Federasul – justamente a federação das empresas privadas do Estado. O mínimo que se espera do governo, a fim de prevenir o patrimônio público estadual, seria o afastamento de Ferrigolo para averiguações.
Mas não: além de não afastar Ferrigolo, o governo ainda escala para o conselho de administração da companhia outra figura também marcada por supostas irregularidades que ainda estão sendo investigadas, Erik Camarano. E a denúncia envolvendo Camarano é da mesma ordem que a (última) envolvendo Ferrigolo: verbas privadas beneficiando administradores públicos.

Não restam dúvidas: a Procergs terá de ser muito forte para resistir a tanto interesse privado rondando a sua gestão. Uma empresa gaúcha pioneira em informática pública, há 35 anos premiada por seus serviços e seu potencial de atendimento à população, superavitária, a Procergs não merece estar sendo tratada desta forma, reunindo em sua administração os protagonistas de diversas irregularidades. É, no mínimo, irresponsabilidade do governo estadual colocar a iniciativa privada na gerência de importantes empresas públicas. O favorecimento de serviços ao empresariado fica claro se analisarmos as estratégias e os editais do planejamento de Ronei Ferrigolo (a toda hora sendo denunciado pelo sindicato), e torna-se ainda mais evidente com esta denúncia confirmada de que o presidente da Procergs recebeu por um ano R$ 15 mil por mês da Federasul. Qualquer funcionário público concursado já teria, com tudo isto, reunido motivos de sobra para ser demitido. Mas o governo estadual permanece inerte e Ferrigolo parece não ter nenhuma preocupação com demissão.

Talvez o governo do Estado só venha a tomar as providências (que já deviam estar encaminhadas) quando a Procergs for o novo escândalo ao estilo Detran, que envergonhou o Rio Grande do Sul. A atenção que o secretário da Fazenda adjunto, Ricardo Englert, quer dar à Procergs, colocando no seu conselho figuras que, no mínimo, deveriam estar sob suspeita ou investigação, parece-nos ter por objetivo blindar os indícios que, à revelia desta intenção, estão ficando muito claros para todos. Se, perante tantas denúncias, estas peças não caem, é porque os laços que os unem são muito fortes.

E o governo não poderá dizer que não sabia ou que nunca foi avisado. Estamos avisando e pedindo atenção à Procergs há muito tempo. Queremos transparência, queremos dignidade e queremos respeito ao serviço público. Chega de corruptos e corrupção, chega de vergonha, queremos um Estado limpo. Que os órgãos de investigação e controle do Estado façam valer suas ferramentas de fiscalização e proteção do patrimônio público. Continuaremos cobrando do TCE, da CAGE, do MPE e iremos à Justiça, se necessário for. Se há irregularidades, elas têm de ser imediatamente apuradas e energicamente banidas de nossa sociedade. É uma grande tristeza constatar que o governo estadual não parece ter este compromisso.

Este governo evoca todas as energias possíveis no enfrentamento de categorias de trabalhadores da educação, da polícia civil, da própria Procergs, atacando-os em seus direitos e promovendo a desvalorização destes trabalhadores e, conseqüentemente, dos serviços que prestam. No entanto, quando convocado a cumprir com suas responsabilidades frente à constatação de irregularidades envolvendo os gestores que nomeou, este mesmo governo se omite. Quem perde é a população.

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