Se tem uma coisa que só tem aumentado na Procergs são as denúncias de irregularidades dos gestores. Que fique claro que não há nenhuma denúncia que envolva o corpo funcional, mas somente irregularidades envolvendo a direção da Companhia. Confira a história de algumas das muitas denúncias que até hoje esperam por justiça:
Terceirizações irregulares
Lá em maio de 2005, o Sindppd/RS entrou com pedidos de investigação, junto ao Ministério Público do Trabalho e ao Ministério Público Estadual, de terceirização em massa e contratos irregulares na Procergs, respectivamente. As investigações continuam andando no MPE, mas a averiguação do MPT chegou a conclusões em fevereiro de 2007: constatou que “é possível concluir a subordinação direta de terceirizados a servidores da Procergs, a utilização de toda a estrutura da Procergs pelos terceirizados, a demanda permanente (inclusive demanda reprimida) de serviços necessários para a Procergs realizar sua atividade-fim, a precarização de direitos dos trabalhadores terceirizados, a ‘quarteirização ilícita’, entre outros” [trecho do termo de audiência assinado pelo procurador do trabalho responsável pela investigação, Gilson Luiz Laydner de Azevedo].
A investigação do MPT contou com a manifestação das partes envolvidas, análise de documentos, visitas aos locais de trabalho e depoimentos de trabalhadores. Em dezembro de 2006, o Sindicato protocolou cópias de contratos de prestação de serviços, reforçando a denúncia de terceirização irregular dentro da empresa (através da empresa Line Service Quality Locação de Mão de Obra Ltda). O procurador definiu, em fevereiro de 2007, um prazo de seis meses para a Procergs se posicionar a respeito do Termo de Ajuste de Conduta (TAC), “manifestando intenção em assumir o compromisso de corrigir as distorções apuradas e atender ao disposto na legislação trabalhista e aos princípios da administração pública”. Ainda segundo o documento, no mesmo prazo, a empresa deveria “apresentar o edital relativo à seleção dos trabalhadores contratados emergencialmente e informação detalhada acerca das atribuições conferidas aos servidores contratados para ocupar cargos em comissão”. O prazo expirou sem a manifestação da diretoria da Procergs. O próximo passo será uma Ação Civil Pública.
Relatório da Cage
Em outubro de 2007, a Contadoria e Auditoria-Geral do Estado (Cage) apontou 17 irregularidades nos gastos da Procergs em 2006. As despesas irregulares chegam a R$ 1,7 milhão. Do total, cerca de R$ 1,2 milhão se referem a contratações de serviços terceirizados sem licitação ou por orientação do então presidente Carlos Alberto Pacheco de Campos. Segundo o relatório da Cage, parte do dinheiro garantiu vantagens indevidas aos diretores da companhia. Apesar de não ter autorização do governador, como determina a lei, a direção recebeu R$ 61 mil em benefícios.
A gestão da Companhia também estendeu aos diretores o pagamento de R$ 27 mil em cursos de pós-graduação – o atual presidente da Procergs, Ronei Ferrigolo, foi um dos diretores que receberam o benefício na gestão de Pacheco. Outro custo irregular foram as contas de telefone extrapoladas e a permissão para terceirizados utilizarem celulares após o término do contrato. O prejuízo seria de R$ 93 mil. O Sindppd/RS e a CT/Procergs se manifestaram publicamente, na época, exigindo a apuração das denúncias. Boa parte da direção da empresa da gestão anterior continua hoje na empresa, então a denúncia de irregularidades apontadas pela Cage não pode se restringir a uma gestão.
Denúncias e investigações envolvendo o presidente
O portal de notícias VideVersus publicou, durante todo o ano de 2007, inúmeras denúncias de irregularidades envolvendo o atual presidente da Procergs, Ronei Ferrigolo. As denúncias chegavam à possibilidade, gravíssima, de Ferrigolo, que é também empresário do ramo de TI, possuir, ao mesmo tempo, o cargo de presidente da Procergs e relação com uma empresa que é fornecedora da Companhia. Até hoje, nada do que fora denunciado pelo jornalista responsável pelo portal, Vitor Vieira, foi investigado ou apurado. O Sindppd/RS entrou com uma interpelação judicial, em novembro de 2007, solicitando explicações sobre as denúncias.
No mesmo mês, algumas semanas depois, Ferrigolo foi alvo de uma sindicância interna da empresa. A sindicância ocorreu às escuras, sem que nenhuma informação chegasse aos trabalhadores. A auditoria terminou, inocentou Ferrigolo, e nós sequer sabemos detalhes da investigação e do resultado. A CT/Procergs e o Sindppd/RS solicitaram tais informações, mas jamais foram atendidos.
22 Setembro, 2008 ás 12:30 pm |
[...] Temos denunciado os interesses privados que rondam a Procergs há muito tempo e de várias formas. Acionamos, em 2005, o Ministério Público do Trabalho e o Ministério Público Estadual, denunciando contratos irregulares, terceirizações em massa, baixos salários e o desmonte da inteligência da empresa. Ao TCE, este ano, solicitamos apuração sobre um projeto de altíssimo custo que prevê a migração do ambiente UNISYS para servidores de médio porte, mesmo contra a opinião técnica de experientes funcionários da estatal. Outro ponto polêmico que diz respeito à gestão da Procergs, é a terceirização da fábrica de softwares. Moda no auge das privatizações, a terceirização tem sido abandonada por todas as grandes empresas públicas na área de informática. [...]